Sunday, May 22, 2005

fogo-fátuo





de onde mais nada se espera, tudo pode ser encontrado. da morte e “putrefação” saem cores, formas, a lembrança do fogo, do verniz que escondia sua estrutura, a memória da origem, das bases livres das aparências que não sobrevivem a uma “morte física”. é uma inflamação espontânea, que traz em si a essência das coisas e do ser. Fogo-fátuo.

(trabalho que fiz em 2003)

Thursday, May 19, 2005

...

só precisava dizer "tudo pode ser / nada vai acontecer / não tema / este é o reino da alegria". mas ele não disse.

Monday, May 16, 2005

os elefantes não esquecem

seja para o bem o para o mal. e a revange tem um sabor apetitoso seja quente ou fria. só se apaga uma memória se o objeto chega ao nível de insignificante. aí pode esquecer. nenhuma tentativa de brilho, de lustrar os grandes egos dos paquidermes, funciona. afinal, precisa de muito para impressionar criaturas tão peculiares.

o odiozinho da vez começou na mesa de um bar quando estava no banheiro. mas uma daquelas pessoas que manda um comentariozinho maldozo sobre judeus. detalhe que a dita cuja é descendente de árabes, para dar um sabor ao fato. e além disso é uma daquelas mulheres solteiras que enchem as mesas com outras tantas amigas solteiras e ficam tirando fotos digitais em close, todas abraçadas. ou seja, nenhum dia vai se diferenciar do outro.

paguei minha conta em dobro, pois a mulherada levantou e foi embora junta. outros também rebolaram pelo sexo feminino. aí fui fazer a piadinha. em off claro. "olha como eu sou legal, paguei a conta da árabe". e o mundo caiu. ele achou um absurdo. o fim dos tempos. nesses momentos mágicos se perdem pontos valiosos. afinal, a merda chama mais a atenção que o lencinho.e a dita cuja, apesar de já ter me visto mil vezes, todas sem saber que eu sou judia, nem fala comigo. é a modelice ou falta de educação mesmo.

o clima de distância pode ter começado aí. mas as palavras não corresponderem aos fatos aumentou. o silêncio é um opção, e como já dizia depeche mode, ninguém deixa de correr o risco de enjoy the silence. é uma opção legal, e totalmente contextualizada.

aí no outro canto (cor de rosa) da mesa, uma segunda delas começa a falar que uma integrante da família é louca. comentei com a minha irmã e ela disse "ah, ela é a louca gente boa". altamente cativante, sorridente e no limits, tive vontade de mandar a solteira transtornada que difamava a mulher do meu melhor amigo ir no tmar no cu. ir à merda. mas como ela já tá na péssima, e eu sofreria a censura do doi-codi defensor dos bêbados, árabes e dos oprimidos, não falei nada. uma dama não comenta.

mas os elefantes não esquecem.

Sunday, May 08, 2005

mondovino é o caralho

no domingão do dia das mães, fui cobrir a sessão especial do documentário mondovino, de Jonathan Nossiter.



o diretor foi apresentar a sessão em português, apesar de ser americano (casado com uma brasileira e morando aqui há alguns poucos meses). em menos de três minutos, ele conseguiu fugir do assunto e começou a falar do seu filme anterior, que não passou por aqui e da dificuldade de transpor para as telas a beleza da atriz charlotte rampling (depois eu coloco aqui uma foto que fiz dela em 2001).

não obstante um papo muito do sem nexo, ele feriu meu âmago, ao pedir que eu (e alguns espectadores munidos de celulares) não tirassem mais fotos pois ele não estava conseguindo se concentrar e ainda falar português. paramos, mas o papo continuou sem pé nem cabeça, ao ponto do françois desistir de cobrir a sessão pra mim.

o filme começa com um cara subindo no coqueiro em pernambuco, ao som de racionais mc´s. o cara desce e o diretor pergunta: "dá pra fazer vinho de coco?", e o local responde "não". corta a cena e aí se começa a falar do alto escalão do vinho internacional.

eu tenho uma teoria a respeito de documentários, de que eles deveriam ter sempre meia hora a menos. no caso de mondovino vou ter que abrir uma exceção e aumentar para uma hora e meia a menos. e eram tantos os cachorros que apareciam (e o diretor sempre fazia questão de filma-los e perguntar o nome), que eu até tive impressão que se tratava de um documentário sobre cães.

legal com resalvas. não recomendado at all para um domingo de noite.

Friday, May 06, 2005

lafayete e os tremendões no teatro rival









huou huou huou!!! agradecimentos: compay gonzalez, dj adjunto do show e amigo.

Tuesday, May 03, 2005

show do +dois (moreno, domenico e kassim) no vivo open air







Sunday, May 01, 2005

show ludov no teatro odisséia, dia 27 de abril







sp adventures 02

finalmente consegui voltar para são paulo depois de minha última vinda em 2002, e ainda levei um cobaia – o lelê – para provar que minha teoria de que a cidade é super bacana. a sala de espera do aeroporto estava lotada. um oriental frenético falava no celular em seu idioma, alberto dines dormia esperando a ponte aérea e até o dj malboro, o novo sady das noites cariocas (paulistas, espanholas, everywhere) estava presente, com destaque para seu cabelo acaju. Como passava das 23h e congonhas sofre de toque de recolher, acabamos pousando em Guarulhos em meio a um temporal.

21 de abril, feriado, começamos a andar as doze quadras que nos separavam do metrô. fomos pela oscar freire, a garcia d´ávila (ipanema) paulista. as lojas de luxo estavam todas fechadas e poucas pessoas estavam nas ruas além de nós e os mendigos, mas dava pra sentir o clima sofisticado. apesar do deserto, vimos coisas interessantes na rua.

enquanto no rio os grafites dominam as paredes, em sp o forte são os adesivos. em uma caminhada de meia hora tirei um filme e meio só de adesivos com a minha fm2, morrendo de saudades da minha digital, que apesar de tosca, é bem mais leve. Outras “bacanices” foram: o camelô de cd´s de música clássica, um ambulante de yakisoba e um vendedor de livros que, quando caía a capa, ele colocava uma branca e escrevia o título com carimbo, para ter um padrão.

na porta do museu, passou o osmar santos (lembram-se de “pimba na gorduchinha” e “riba na chulipa”?) em sua cadeira de rodas, com um sorriso que poucos podem ter. ele até me deu bom dia, num astral altíssimo. me lembrei de seu conterrâneo, marcelo rubens paiva, que ao contrário, já me passou um clima mais pesado, introspectivo ou triste. até comprei um livro dele no sebo por 7 reais no dia seguinte, junto com um vinil do sérgio mendes (10 real). seu copo está meio cheio ou meio vazio?